Porquê eu, você perguntou? Olha, difícil não se apaixonar assim, viu...
Pior que eu estava com todas os motivos na ponta da língua, mas quando você me perguntou isso, não sei se foi realmente o sono, mas aquele monte de pensamentos, como crianças zombeteiras, saíram saltitando da minha cabeça, enquanto tiravam sarro de mim; e a doença que me assola gritava no meu peito e na minha cabeça, como em todos os momentos de minha vida, principalmente os similares a este. É difícil explicar para quem não tem, mas para tudo o que vou fazer, existem dois corpos sobre o meu. Um na frente, sugando todas as minhas energias, e deixando minha vista nebulosa e sombria, e outro atrás, que não para quieto, tem muita energia, mas precisa roubar da minha, também, e constantemente pressiona o meu peito contra o primeiro. Acho que é daí de onde vem essa sensação estranha de ardência, dor, uma espécie de arranhar constante no peito. No momento em que você me perguntou aquilo, esses dois corpos resolveram se amar com tanta força, que os pensamentos voaram como um daqueles sachês de ketchup que dividíamos na noite anterior e que jorrou, quando abri (grazadeus ninguém viu). É... uma das minhas características é o desastre, e acho graça nisso.
Voltando aos pensamentos... Eles estavam todos lá, acumulados na minha cabeça e alguns tantos tentando descer ao coração. Voaram num jato só, e seu olhar parece que captou esse movimento invisível, como se examinasse o que sobrou, ali, em mim.
Porém, o motivo inicial dessa minha divagação não era ser romântico. (In)felizmente, isso acaba sendo mais forte, porque faz parte de mim. O motivo era apenas para retomar esses pensamentos que não voaram, mas se prenderam em algum lugar de mim e ficaram me atormentando e zombando da minha cara durante o momento que eu descrevi.
Tá, vou parar com isso... saushuashuh
Preciso só listar essas coisas, bora lá (o, pora!).
Elas simplesmente fugiram, novamente, depois de eu passar um tempão pensando.
Sabe porquê você? O seu olhar, logo no início, me conquistou. Te vi melhor quando pediram para vc se aproximar e seu jeitinho me conquistou muito. Eu acabei listando os motivos errados, no bar. A real é que, enquanto estávamos na mesa, naquele bar, sempre que eu te olhava e vc me olhava de volta, me dava um friozinho na barriga. Ao longo da noite, os seus comentários, o seu jeito, e seus valores, me demonstraram que ali havia alguém que compensava muito conhecer, e fiquei o resto da noite pensando nisso. Não vou mentir. Eu estava com bastante medo de me apaixonar de cara (até porque não estou muito saudável mentalmente), e fiquei pensando se deveria arriscar. Pois bem, pensei: não tenho nada a perder. Eu quis me fazer de quem não estava tão a fim de te levar pra sair, porque estou um pouco traumatizado com a última situação que venho passando.
Enfim... queria apenas te dizer que estou segurando MUITO e não estou sendo 100% o que eu gostaria, com medo de invadir seu espaço, como eu disse.
Bom, deixa eu tentar voltar para os motivos...
Até agora
1 - você é linda demais. Na praça eu fiquei instigado com seu olhar
2 - Eu percebi alguma profundidade em vc, e uma beleza que ia muito além da física. Ainda estou atordoado.
Continuando...
Eu pensei... bora aproveitar a noite. Mesmo que ela não seja quem penso, uma coisa é certa: ela é linda e divertida, então não tenho o que perder.
Então, ao longo da noite, o que eu pensei estava bem confirmado, você é uma pessoa incrível. O jeito com que vc enxerga e lidá com o mundo é lindo e raro: é sensível aos sentimentos alheios, e vc enxerga uma beleza e certa profundidade em tudo, é divertida, é determinada, e pareceu ter uma empatia, um coração e valores muito bem definidos relacionados à compaixão, cuidado, carinho, respeito e muitas outras coisas. Ah... e a sua aparência, seu toque, sua calma, seu jeito meigo e carinhoso. Não vou entrar em detalhes sobre essas coisas, porque não quero idealizar a ti.
Além de tudo isso, vc tem uma coisa que eu não achei que fosse encontrar tão cedo e em alguém tão próximo da minha realidade. Eu lhe disse que vc me surpreendeu porque eu não esperava isso de vc, mas me expressei muito mal. O que acontece é que eu não esperava isso de ninguém. Eu não esperava encontrar alguém que batesse tanto com as coisas que penso e isso me espantou por vários motivos. Primeiro, porque ainda estou destruído com meu último relacionamento e estou menos em uma jornada de auto-descoberta (entretanto, também está presente) do que numa jornada de auto-aceitação. Eu nunca na minha vida fui fechado. Mas falar de mim mesmo ainda dói muito, porque acabei aprendendo a me odiar e querer mudar quem sou e minha essência. Segundo, porque achava que essa sensibilidade, esse romantismo, eram impossível de encontrar. Você me surpreendeu muito.
Conforme eu te conhecia, me impressionava com cada palavra que saía de sua boca. Você tem uma maturidade e uma determinação nas palavras que eu não esperava. Você tem coisas que eu busco em outras pessoas, porque são coisas que eu gosto em mim: determinação e valores bem definidos. Você sabe o que gosta e o que quer e tem uma força para se aceitar e ir de encontro com o que o mundo diz, que eu sei que não é fácil. Sua baixa auto-estima, acredite em mim, não tem base sólida além dos seus traumas, já que eu não vejo motivo algum para vc.
Antes de terminar meu relacionamento, eu havia brigado justamente sobre o que vc me disse aquela noite: não seria a liberdade a possibilidade de poder escolher o que quer, e não viver de tudo que existe? Eu briguei, porque estava falando justamente sobre isso: eu escolhi me aceitar e viver assim. Não me sinto menos vivo por ser mais introvertido, nem mal por não dar chances para que outros romances aconteçam, porque sei o que quero para mim. E bater o pé sobre isso nesse mundo em que vivemos é bem difícil e doloroso. Então, eu sei o quanto vc é forte e o tanto que deve enfrentar do mundo por ser assim.
Por último, o seu romantismo foi como um caminhão vindo de encontro ao meu corpo. Eu havia desistido disso há um tempo. Depois das coisas que estou passando, por ter sido romântico com uma pessoa que não sabia ir com calma (mas fingia saber), eu estava decidido que isso não era legal e que ninguém curtiria isso da maneira que curto. Aí vem vc, passa por mim dando aqueles olhares deliciosos e sorrisos lindos. Foi a cereja que faltava. Uma música gostosa de fundo, seu blazer vermelho que dava uma cor marcante pro momento... Passa aqui e ali, percebe que eu estou observando, joga aquele olhar de volta e dá aquele sorriso. Aquilo disse tanta coisa pra mim. Talvez eu tenha entendido errado (e acho que entendi), mas entendi muito. Ficou até mais fácil tentar criar um clima naquele momento que todos saíram de perto e eu pude te admirar como se só existisse nós dois (apesar da plateia curiosa.. saushaushu). Acho que o clima já estava bem criado, na real. Dali pra frente, eu não consegui fazer quase nada do que queria. A ansiedade já estava o dia todo me afligindo e ela me deixa apático, cansado, atordoado. Depois desse momento, eu fiquei tão atordoado que só sabia que queria sentir você mais de perto, seus lábios e saber qual era o seu gosto. Mas eu estava fora do meu corpo e sem saber o que fazer.
Pera, ainda não foi a última parte. A última parte vem agora: eu pude viver essa noite deliciosa, pude sentir e curtir muitas coisas que eu não esperava. Foi ótimo. E vc, romântica como eu, sabe: se pudéssemos, viveríamos coisas assim todos os dias. Quando digo "assim", me refiro aos meus sentimentos e meu mundo, pois não sei como foi pra vc.
E eu ainda acho que tinha espaço para ser muito melhor. Eu costumo conseguir muito mais, inclusive. Mas esses dias estou bem destruído, porque as coisas estão vindo como bola de neve e estou indo além dos meus limites. Mas não se preocupe, vou ficar bem. Apenas espero que possamos ter mais algumas oportunidades e seja o que tiver que ser.
E também não se preocupe: eu sei separar bem uma noite gostosa e romântica, um beijo bom, uma admiração, ou até uma paixão, de um amor de verdade, que é construído com tempo e esforço e é muito mais real e, como em toda a realidade, precisa de força de vontade das partes para que ele exista (e é isso que faz dele lindo, na minha opinião) e vença todas as dificuldades.
E, também, eu acho que seria válido te dizer que sou muito mais pé no chão do que possa parecer. Mesmo nos momentos mais desesperados da minha vida, o meu racional está à frente. É ele que me faz levantar todos os dias da cama e continuar minhas conquistas, mesmo que meu corpo esteja dizendo totalmente o inverso disso.
Falando um pouco sobre mim
A pessoa que eu julguei a mais importante me mostrou dessa forma e eu demorei a perceber o que estava acontecendo, pois achava e aceitava que eu era culpado por tudo. Afinal, eu estava perdendo tudo o que eu mais queria. Eu fiz de tudo pra ter ela de volta e foi o ano mais longo da minha vida. E ela me fez me sentir insuficiente. Nada meu bastava... Não bastava eu abandonar minha vida de lado (meus estudos, que eram a coisa mais importante) para ir cuidar dela quando ela estava tendo uma crise de ansiedade e não conseguia dormir. Não bastava os presentes que eu comprava para vê-la feliz. Não bastava meu toque, meu carinho, meus beijos, minhas frases para dizer para ela o quanto eu a amava. Não bastava as mensagens de "bom dia, amor da minha vida. Eu te amo mais que tudo e espero que seu dia seja maravilhoso". Não bastava eu dedicar minha vida. Eu nunca iria ser suficiente.
Ela chegou a dizer que eu era insuportável por ser "morto" (ela queria sair pra balada e baile funk, enquanto eu preferia ficar em casa com um netflix, pipoca e chocolate, aproveitando a noite com ela, ou então num barzinho com amigos), dizia que eu era chato, que não sabia viver. Ela reprovava cada mínimo gesto meu e não media palavras para mostrar isso. Eu comecei a odiar cada parte mínima do meu ser. Na verdade, eu tive muitos problemas em casa, e já sofria me odiando e o pior: ela sabia de cada detalhe disso, e fazia questão de confirmar as coisas que eu achava de mim. Eu já havia passado, porém, por um processo de aceitação. Eu já estive muito bem comigo mesmo e aceitei que minha vida era aquilo e eu amava ela: me dedicar para poder ter uma carreira estável, viajar o mundo com ela, começar a fazer aulas de danças, ter momentos tão felizes quanto os que já vivemos e muitos mais. Eu não tinha essa necessidade constante de baladas, festas, etc. Eu não me interessava por outros corpos, como ela demonstrava se interessar. Mas eu estava bem com isso, e ela dizia estar, também.
Porém, quando eu vi perdendo ela e tudo o que eu mais amava, me senti culpado por isso. Ficava me perguntando o que eu havia feito de errado e ela me dava as respostas, basicamente dizendo: vc foi vc mesmo, é isso o que vc fez de errado. E eu passei a me odiar com muita força. O ano já começou sendo difícil, porque foi o ano que voltamos de MG. E lá, ela já havia descobrido que ela queria, ainda, viver muitas coisas que não podia do meu lado. Ela se atraía fácil por outras pessoas, por festas... E se sentia infeliz comigo. Eu passei uma fase de dedicação extrema em que não obtive nenhuma recompensa em troca. Não conseguia emprego e vi todos os meus projetos, esforço e dinheiro, jogados fora: tive que voltar pra SP. Chegando aqui, eu estava acabado mentalmente. Todos aqueles pensamentos negativos de mim voltavam a tona, e meus pais ajudavam a piorar (claro que sem querer, mas o jeito deles de lidar com as coisas é tóxico). Eu não conseguia me mover mais. Quase que literalmente. E eu precisava de ajuda, mas me via sozinho. Eu estava sempre desanimado, para baixo, triste... E a Glória começou a me odiar por isso. Ela ficava dizendo que não tinha motivo pra isso, que eu tinha que parar de ficar parado e correr atrás de alguma coisa (obs: era a primeira vez que ela estava estudando de vdd, e foi com minha ajuda e meu empurrão pra ela investir na carreira de Segurança do Trabalho). Ficou dizendo que estava cansada de estar do lado de uma pessoa que parece que está morrendo o tempo todo, que eu atrasava a vida dela, que não deixava ela fazer as coisas dela (OI?????). Velho... EU SEMPRE DEIXEI ELA SAIR. Eu incentivava isso. Na realidade acontecia o completo inverso. Não é a toa que nenhum dos meus amigos gostavam muito dela: ela não deixava eu sair com eles sem ela por perto. E mais, numa das saídas que ela deu, ela ficou com um cara e me ligou em seguida, dizendo que me amava...
Enfim... Os piores momentos era quando eu não conseguia mais sair da cama pra nada, e ela chegava em alguma hora aleatória do dia (depois de dias sem me procurar e nem se preocupar em cuidar de mim, como sempre fizemos um com o outro), entrava no quarto e saía dizendo que não queria estar com alguém assim, que não sai da cama pra nada, não vai atrás de nada (eu corri atrás de tudo, desde os meus 13 anos de idade). Ela chegou a dizer sobre eu nem estar tomando banho quase tirando sarro da minha cara. Eu só queria sumir. Ainda quero.
Enfim...
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