Exatamente um mês após minha última publicação, que acabei de reler, por coincidência estou, aqui, de volta. Estou pensando na publicação, ainda. Eu tinha a impressão de que havia melhorado muito, porém, parece que não. Achei que há um mês atrás eu estava bem, que tinha sido a data que eu estava me recordando de ter deitado no sofá, sozinho, em casa, e pensado em como era bom estar só. Sem compromissos além de estar aproveitando o dia comigo mesmo. Mas não, parece que minhas melhoras não foram, assim, tão evidentes. Eu ainda estou pensando em outras coisas como, por exemplo, se eu realmente estava bem sozinho ou se era porque eu estava sempre em contato com a Carol para conversarmos as bobeiras de sempre, falar dos crushs daqui e dali, eu falar de alguém que me chamou a atenção, etc. Ou seja, eu não estava sozinho. Agora eu to com medo. Muito medo. Estou me sentindo mal pra cacete. Infelizmente, estou me sentindo um tanto usado por ela. Eu sei que ela não fez isso por querer, e não queria me sentir assim. Ela também não está legal. Eu sinto que devo tomar alguma distância dela, mas sempre que tento, entro em desespero. Ao mesmo tempo, acho que esse lance de distância é desnecessário, porque não terei ela de qualquer jeito, uma hora vou passar pelo luto definitivo disso, inclusive, porque ainda não passei. E quando passar por ele (que será quando ela estiver com outra pessoa), sei que vai ser tão pesado e solucionador dessa dependência quanto será se eu passar agora. Eu estou tão errado em adiar dores? Ou evitá-las? Eu realmente devo continuar evitando? Tenho medo de pedir uma distância, agora, e a visão dela sobre mim mudar para o resto da vida, de ela se afastar e não mais me enxergar como aquele grande amigo que sempre que pode esteve ao lado dela. As vezes, eu acho que sou apaixonado por ela, as vezes, acho que não. É estranho. Eu já fui apaixonado e perdi essa paixão, porque deveria, afinal, eu amava de verdade outra pessoa. Mas fazem muitos anos. Aí o sentimento de amizade verdadeira tomou conta e nele, não cabia o amor romântico. Agora, parece que é como se eu tivesse tentando encaixar um amor romântico onde deve existir apenas amizade. Ou isso, ou minha necessidade de ter alguém comigo, minha dependência das pessoas, fazem com que eu queira muito. Me sinto mal, pq de vez em quando eu penso se não é isso que me manteve próximo dela. Uma espécie de interesse. Mas aí penso direito e vejo que não, que só estou me arrumando um motivo para poder me culpar e dizer que eu não a mereço, nem se ela quisesse. Que eu mereço tudo de ruim que ela possa vir a fazer (se é que fará algo), já que sou uma pessoa escrota. Eu tenho que ficar rebatendo esse pensamento e sentimentos o tempo todo. Eu tenho que ficar repetindo pra mim mesmo que não sou escroto.
Isso me lembra que a última sessão de terapia me trouxe alguns bons resultados. Eu já vinha tentando acreditar que quando as pessoas me elogiam, elas falam de coração e não por dó. Mas quando minha psicóloga disse pra eu começar a prestar mais atenção no outro e que eu pareço que vivo só em mim, que eu sou um egoísta, mas no sentido de achar que nunca sou suficiente pra nada, de estar sempre preocupado em ser suficiente (as vezes, o centro das atenções)... Quando ela me disse tudo isso, parece que as coisas clarearam mais. Eu saí com a Leny e procurei prestar atenção apenas no que estava acontecendo à minha volta. Prestar atenção em como a Leny estava se sentindo e me sentir realmente abraçado com a felicidade dela. Sentir que minha presença, ali, era realmente boa e estava fazendo bem pra ela. E isso me fez tão bem. Ver que eu realmente estava fazendo alguém que amo se sentir bem estava me fazendo me sentir ótimo, apesar de por dentro estar sendo corroído com a falta da Carol e com o medo de como as coisas iriam ficar, dali pra frente.
Foram vários momentos de expectativas. Foram vários sonhos idiotas e românticos depositados nela em pouco tempo, quando comparado com o tempo em que nos conhecemos. Foi um ano comparado com 8 de amizade. Um ano pensando que eu poderia tentar com ela, e criando sonhos. Um ano de muitos sonhos, muitas vontades... Eu preferia que tivessem ficado só na cabeça e que ela fosse aquela minha amiga que suprisse minhas necessidades afetivas e que eu suprisse as dela. Éramos bons nisso. Aí eu insisti, ela também, e consegui fazer merda, de novo. Estou me sentindo péssimo. Transei quando não era pra transar (não estou bem ainda pra isso), me declarei quando não havia o que declarar e ela correspondeu quando não havia o que corresponder. Aí deu tudo errado, agora eu to tendo que lidar com isso. Preferia lidar com a solidão de antes. Eu acho que devo ter me sentido bem com a solidão, sim, mas por pouquíssimo tempo. Coisa de 1 ou 2 semanas.
Caralho, tá foda de tentar escrever, de tentar botar tudo isso pra fora. Olha que confusão absurda. Tem tanta coisa, tanta bagunça passando pela minha cabeça.
É a faculdade que estou pra perder, o emprego que vou perder junto, antes da hora... É não estar conseguindo mais pensar durante o horário de serviço e estar me sentindo horrível com isso. É esse lance todo da solidão, do estar sozinho, do não ter ninguém que verdadeiramente me ama e de me culpar por não me bastar. É a saudade de alguns amigos, e a culpa de só procurar eles quando estou mal. É o medo da justificada rejeição deles, por isso. É o medo de a terapia não estar funcionando (já que me dei conta de que não faz nem um mês que estava me sentindo muito pior). É o medo de olhar para trás e ver que não tive medo em pensar em me jogar da ponte, apenas tive o recuo por pensar que a altura não era o suficiente e que eu ia sofrer muito na morte.
Minha psicóloga disse que não sou suicida. Eu também acreditava nisso, até aquele momento. Nenhuma das vezes que eu pensei em me matar eu estava tão bem com essa decisão. Tão sossegado e apenas pensando em: tá... Se eu for fazer, tem que ser direito, porque não quero ficar agonizando. Na realidade, acho que deve ser só um pedido de socorro interno. Um grito por atenção, pra sanar esse vazio. Um pedido para que alguém faça isso, por eu não me sentir capaz de fazer isso sozinho. Odeio ter que precisar de alguém que não seja eu mesmo. Porque acho que não sou suficiente para ninguém e quero que alguém seja suficiente para mim. Isso não faz sentido. Não sou capaz de trazer felicidade pra ninguém. Não sou capaz de fazer ninguém se sentir como eu me sinto quando estou com alguém que gosto/amo. Sentir que não preciso de mais nada. Sentir que preciso cuidar de mim, preciso estudar, trabalhar, mas ao mesmo tempo, que agora eu tenho um sentido na vida.
To escrevendo sem parar, dando voltas em um mesmo assunto e não consigo sentir que estou botando pra fora o que preciso. Essa sensação é horrível.
Porra, não comi hoje o dia inteiro. E nem quero comer. Não sinto fome. Sinto, mas não sinto o suficiente pra querer comer. Minha mãe disse que estou muito magro. Botei isso na cabeça, e está me fazendo mais mal. Agora, além de duvidar que tenho uma doença, ainda me culpo por não querer comer e vira um ciclo. Me sinto ainda mais feio e rejeitável. Nessas horas eu vejo que preciso morar sozinho. Quando não estou gordo demais, estou magro demais. E minha mãe falando isso pra mim... Pqp, que saco. "Você está feio, tá muito magro". "Você está gordo, está ficando muito feio". Ela não faz por querer, mas não deixa de ser escroto pra caralho.
As pessoas que mais bem me conheceram, fugiram de mim. As pessoas que eu mais amei e me senti amado, não sentiram tesão prolongado, não sentiram vontade de estar ao meu lado, não se sentiram como eu me sinto ao lado delas. Acho que é por isso que não consigo mais sentir prazer no sexo, nem tesão. Não consigo acreditar que dou prazer para outra pessoa e isso já nem me afeta mais tanto, uma vez que já nem ligo mais pro sexo. Liguei muito esse ato ao amor. Tá internalizado. E não acredito mais que ninguém possa me amar de volta. É engraçado como eu fiquei com tesão, como eu quis muito fazer sexo com a Carol, quando ela me disse que me amava.
Ela não me amava. Óbvio que não. Eu não me amo, quem mais pode me amar?
Eu senti minha vida inteira que sou incômodo pras pessoas. Consigo lembrar de poquíssimos momentos em que não estive sozinho, em que eu tive pessoas me amando, em que me senti amado e amável.
Mas é óbvio que as pessoas não vão me amar. Tipo... quem gosta de uma pessoa que só sabe se remoer e ficar triste o tempo todo???
Eu não acho que esses remédios estão adiantando mais. Não acho que eu vá me curar, um dia. Não mesmo. Não acho que vou encontrar alguém que se dedicará o tanto que, hoje, estou disposto a me dedicar de volta. Uma hora não haverá ninguém para me tirar da cama. Nem haverá motivo para eu sair dela. E eu mesmo não tenho motivo próprio para isso. Aguardo ansiosamente por esse dia.