Aprendi muitas coisas com esse capítulo do livro. Aprendi como se forma o Eu e a diferença dele com a consciência. É confuso, mas dá pra entender à medida que dá para sentir o que o livro explica.
1 - O que é o Eu
2 - Qual o papel do Eu na transcendência?
2 - Pessoas que relatam a experiência mística (vulgo transcender) citam a tal da dissolução do ego e o consequente sentimento de unidade com o universo que é seguido de uma revelação. Essa revelação costuma ser objetiva como a descoberta do segredo do universo. Interessante é notar que essas revelações e experiências, quando postos em palavras, parecem banais. Essa banalidade não condiz com o sentimento intenso experimentado por essas pessoas. Tão intenso que muda suas vidas. E essa intensidade impossível de ser transmitida em palavras é uma das características principais da experiência mística, segundo classificações descritas no livro sobre essas experiências. Tal características é denominada inefabilidade ou experiência inefável.
Pondo em outras palavras, a experiência de unidade com o universo só é possível quando não há a separação entre o Eu e o ambiente. Quando não existe o Eu, passa a existir apenas o ambiente e portanto a consciência do ambientee a inexistência do Eu resulta na consciência da existência de uma só entidade que é o ambiente. Daí o sentimento de unidade: se Eu nao existo, mas tenho consciência da existência do ambiente e a consciência é pertencente ao meu ser, então Eu sou o ambiente.
No entanto, o que é o Eu que assume papel tão importante no ato de existir ?
Estudos recentes na análise de padrões das atividades cerebrais em pessoas que estavam em momento de repouso enquanto esperavam o inicio de uma atividade (ou seja, que estavam com suas mentes vagueando em suas preocupações e historias) apontam que nesses momentos há a ativação sempre de mesmas estruturas cerebrais. Mais do que isso, quando a mente pensa em construções do seu passado, projeções do futuro e outros devaneios que envolvem a projeção da pessoa em um ambiente e momento, essas estruturas se tornam super ativas e ainda mais ativas quando é preciso fazer o exercício de se imaginar sendo outra pessoa. Essas análises pemitiram que os pesquisadores concluíssem que tais estruturas são responsáveis pela noção do Eu. Mais que isso, que o Eu é uma rede de nós que são as nossas memórias que consistem nossa historia, nossas atitudes, etc.
Portanto, subjetivamente o Eu é o conjunto de histórias passadas, atitudes e projeções futuras de um indivíduo que os diferencia dos demais. Fisiologicamente o Eu é construído na união de diversos nós de uma região cerebral conhecida como rede neural padrão.
Escrevi tudo isso para falar sobre minha descoberta pessoal. Quando fico sozinho tenho uma sensação terrível. Me sinto perdido, confuso, triste, com medo, solitário. Sempre me pergunto o porquê disso e nunca encontrei uma resposta. Além disso tudo, com frequência pessoas do meu passado vêm a tona em meus sonhos e em meu dia a dia. Porém eu odeio tudo aquilo que passei. Eu odeio ter me humilhado tanto, ter aceitado ser tão criticado, zombado pelos meus trejeitos e diminuído a deboche. Mas porquê eu penso tanto nisso ? Porquê eu lembro tanto disso ? É por isso que passei a impressão de que gosto deles. Eu não gosto. Mas ontem ficou claro pra mim. Foi durante meu desenvolvimento como pessoa (na minha pré-adolescência e adolescência) que eu passei a conviver diária e constantemente com essas pessoas. Todo o meu pensar e agir dependia de estar com eles. Eles não apenas se tornaram minha família, mais que isso, meu Eu. Meu Eu foi construído todo em cima disso e isso significa que meus nós de rede padrão são todos construídos naquele meio. Eu dependo de estar com outra pessoa para saber quem sou. Para sentir que aqui existe um Eu separado do mundo. Sozinho eu estou sempre perdido e pensando nesse passado, porque assim eu reforço quem eu sou. É como se Eu fosse só aquilo. Eu dependo de estar com outras pessoas para saber quem sou. Eu sei quem sou apenas quando estou reagindo às outras pessoas.
Hoje está difícil de continuar escrevendo justamente porque estou sozinho. Isso me dá aquela sensação de estar paralisado. Falta de vontade de fazer as coisas, medo, tristeza... Não sei quem sou e portanto não sei o que quero fazer ou viver. A angústia voltou. A solidão e a tristeza também.
Falhei em registrar minhas descobertas de ontem, mas me ficou uma lição valiosa: esses pensamentos só reforçam minha rede padrão. Lembrar do meu passado só faz com que meu cérebro reforce que preciso dele pra ser quem sou. Isso é paradoxal, porque odeio tudo que passei, mas eu amo o meu Eu. Eu tenho que refazer essas conexões, reforçar esse meu Eu fora daquele ciclo social, fora dos ciclos sociais que odeio, e até mesmo fora de quaisquer ciclos. Reforçar quem eu sou sem ficar me pondo novamente nas situações passadas.
Agora o termo "transtorno de personalidade" fez muito sentido. Eu não sei qual é minha personalidade porque ela depende de reforçar como eu ajo nos meus ciclos sociais e, principalmente, naquele primeiro ciclo social tóxico em que me senti parte e em que a solidão que me assombrava ficava esperando do lado de fora quando eu pisava naquela sala. Eu era um indivíduo ali. Eu era um indivíduo respeitado (pelo menos nos primeiros anos de tudo). Eu tinha um Eu que eu gostava, porque ele não era aquelas mil etiquetas que eu odiava mas que eram colocadas no então conturbado ambiente familiar que eu vivia. Parece que me afastar daqui é reforçar meu Eu e, por isso, eu estava sentindo que precisava sair de casa e construir minha vida sozinho. Assim eu sei quem sou e gosto de mim sem me preocupar de incomodar ngm.
Eu preciso reforçar o meu Eu que não dos ciclos sociais. E acho que faz sentido viver experiências em diversos ciclos e sozinho para encontrar a rede neural padrão em comum entre todas essas experiências. Ou seja, encontrar meu atual Eu. Porém sempre lembrar que ele vai sempre variar conforme meus sentimentos nos momentos. Ou seja, ele não é fixo, apesar de rígido.
A meditação me ajuda com essa descoberta à medida em que ela desliga o Eu nos momentos em que preciso viver o presente. E essa nova vivência começa a fazer parte de um novo eu. Eu descubro com elas o que eu gosto e desgosto no presente e assim vou construindo novos nós que vão formar o Eu.
Acho que é isso que quero buscar na viagem psicodélica: formar meu Eu sem precisar depender daquele passado que preferia esquecer porque ele não sou Eu. Descobrir quem é o Eu por debaixo daquilo tudo. Esse aquilo não é somente o meu passado ligado àquela família mas também à minha família e suas mil etiquetas que eu juntei para saber quem eu sou.
O ponto positivo disso tudo: eu larguei aquele meu eu metaleiro preconceituoso que estava se formando na minha adolescência, apesar de ele de vez em quando aparecer e me incomodar. Ele começou a sumir ainda naquela fase, quando comecei a me afastar daquele ciclo social e participar do que o maik, kevin e outros amigos estavam presentes.
Porém, ainda não sei quem sou, apesar de ter ter uma frequente e efêmera noção.
Em suma, agora eu sei o que busco com a viagem psicodélica e também como a meditação vai me ajudar. Ela me desliga do meu Eu assim como a viagem psicodélica. Ela vai permitir com que eu viva o presente e descubra o meu Eu escondido no meio de todos aqueles nós rígidos.
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